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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Fino diálogo

Por Flávia Fontes Oliveira
Victor Gastão Vila Nova em cena de Nos Outros, de Lara Pinheiro
Foto: Camila Ribeiro (facebook)
Há bailarinos que nos conduzem pelas coreografias mostrando o fino diálogo entre criador e intérprete. Victor Hugo Gastão Vila Nova fez desta união um ponto alto em Nos outros (veja a crítica em breve), da diretora Lara Pinheiro, na nova estreia do Balé da Cidade de São Paulo, no Teatro Municipal de São Paulo, dia 7 de julho.

Seu solo inicial apresenta e sela a cadência de toda coreografia, em uma combinação de clareza e suavidade – no sentido de jamais um gesto escapar com rigidez. Por seu desenhar a cena, desvendamos a coreografia. Depois, impossível desviar os olhos quando ele está no palco.  

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Uma noite de retorno e renovação

Por Flávia Fontes Oliveira
Cena de Nos outros, de Lara Pinheiro.
Fotos: Sylvia Masini
O Balé da Cidade de São Paulo faz seu segundo programa do ano, de hoje, dia 7, a domingo, no retorno à casa da companhia, o Teatro Municipal de São Paulo. São duas estreias, Nos outros, da diretora Lara Pinheiro, e Cidade incerta, do português André Mesquita. Ainda apresenta Divineia (2001), de Jorge Garcia, ex-bailarino do grupo. Com estes espetáculos, o Balé da Cidade continua costurando sua identidade sob o novo comando, uma companhia contemporânea com elenco renovado e trânsito entre coreógrafos de linguagens distintas. Este também é o mês da dança no Teatro Municipal e só isso já vale um brinde para a dança na cidade (ainda apresentam-se na casa São Paulo Companhia de Dança, Cisne Negro Cia de Dança, Companhia Teatro Dança Ivaldo Bertazzo, entre outras).

Lara Pinheiro compôs sua coreografia em colaboração com os dez bailarinos do elenco (Adilson Junior, Jefferson Damasceno, Yasser Díaz, Cleber Fantinatti, Victor Hugo Vila Nova, Marisa Bucoff, Fabiana Fornes, Thaís França, Liliane de Grammont, Jan Alencar ou Wagner Varela) e procura explorar a força e movimentação dos intérpretes. Nos outros trata do acúmulo de informações e experiências despejadas sobre o corpo. “O que aprendemos e coletamos do outro versus o que deixamos como marca na interação com o outro”, diz o programa.

Outra estreia da noite, Cidade incerta toma como ponto de partida o Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa (1888-1935). O jovem coreógrafo André Mesquista – nasceu em 1979 – é fundador da TOK’ART – Plataforma de Criação, ao lado de Teresa Alves da Silva. Entre suas peças estão Como é bom tocar-te, A short history of walking, Cinderela, Slow, A Kind Of (esta última para a Cross Connection Ballet Company com artistas do Royal Danish Ballet, Danish Dance Theater e Skanes Dance Theater).

Cidade incerta, de André Mesquita
Mesquita tem se destacado por sua capacidade de reunir linguagens corporais distintas em dramaturgias bem desenhadas. Nesta coreografia para o Balé da Cidade usa o texto de Pessoa para tratar de certas singularidades da vida, como diz o texto de apresentação retirado do livro citado: “Vou mudando de personalidade, vou (aqui é que pode haver evolução) enriquecendo-me na capacidade de criar personalidades novas, novos tipos de fingir que compreendo o mundo, ou, antes, de fingir que se pode compreendê-lo.”

Para completar o programa, a companhia apresenta Divinéia, coreografia dançada por oito homens, de Jorge Garcia. Na peça, cujo nome era usado por presidiários para a sala de revista corporal da Casa de Detenção de São Paulo, popularmente conhecido como Carandiru, Garcia mostra o convívio entre estes homens, em uma coreografia que explora a força masculina. (Selecionei uma parte no vídeo abaixo)

É um elenco de grande capacidade e, só por eles, já valeria ver o espetáculo. E a direção tem sugerido um caminho rico para estes bailarinos.


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Comentários sobre o Balé da Cidade de São Paulo


Por Flávia Fontes Oliveira

Cena de Paraíso Perdido | Divulgação
Em um de seus livros, Afterimages (Knopf, 1977), a crítica de dança americana Arlene Croce lembra que o crítico de dança leva de um espetáculo impressões que foram assimilados por seus órgãos de sentido. Eles não gravam fatos, ela frisa. Fiquei com a ideia em mente por conta do novo espetáculo do Balé da Cidade de São Paulo, Paraíso Perdido, do grego Andonis Foniadakis, que estreou no Sesc Vila Mariana, dia 5 de maio, por conta das percepções causadas por ele.

Ao partir dos quadros de pinturas de Hieronymus Bosch (1450-1516), Foniadakis procurou absorver a atmosfera das obras, assumindo o excessivo uso de elementos do pintor. Para isso, coloca intensidade e volume nas cenas, em que o profano e o religioso se debatem, por vezes, vertiginosamente.
Foniadakis é um encenador de olhar agudo, desenha o palco com o um grupo grande, cerca de 30 bailarinos, intercalando com momentos de duos, trios, solos. É um balé rápido e, nesse sentido, virtuoso. Os movimentos são, em grande medida, impulsionados pelos braços e exigem qualidade na execução. Não pode haver qualquer resquício de insegurança para tamanha agilidade. Não há esforço desnecessário para este elenco renovado, que se vê no desafio de criar um corpo para a nova gestão. E eles dão o recado. 
Nos 50 minutos de espetáculos, um tanto longos (o impacto seria provavelmente mais forte em menos tempo), bailarinos entram e saem da cena com a aflição do pecado. E essa aflição não cabe em silêncios, mistura-se a tensões sensuais, brutas e gritos. Quadro a quadro, encontramos nas cenas as referências a Bosch, com jogo de iluminação e figurinos, estes assinados por João Pimenta.
Uma coreografia contemporânea, como previa a nova diretora, Lara Pinheiro, utilizando o corpo em sua potencialidade de ferramenta. E no fim nos despedimos com essa sensação, que escapa um pouco pela entrada de figurinos pratas. Uma miragem?

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Viagem ao Paraíso Perdido

Por Flávia Fontes Oliveira
 
Cena de Paraíso Perdido, de Andonis
Foto: divulgação | Jorge Etecheber
A primeira estreia do ano do Balé da Cidade de São Paulo equilibra desafio técnico e artístico na proposta do coreógrafo grego Andonis Foniadakis. Paraíso Perdido teve como ponto de partida as pinturas de Hieronymus Bosch (1450-1516) e será apresentada no Sesc Vila Mariana, entre os dias 5 e 8 de maio, com um elenco de 30 bailarinos.

Foniadakis trabalha com a companhia pela primeira vez e trouxe uma linguagem que exigiu bastante do grupo. “É uma linguagem de movimentos extremamente fluidos, fluxos, que não identifica acentos ou formas”, diz Lara Pinheiro, diretora artística do Balé da Cidade. Ela ainda completa que não há nenhum movimento óbvio e, por isso, as sequências precisam de lapidação o tempo inteiro. É uma criação que exige “qualidade, para além da técnica”, nas suas palavras.

De Bosch, Foniadakis trouxe o despertar de sentidos de suas criações, que usa engenhosa pintura, com ilustrações complexas, de sugestões sensuais, para tratar, em grande parte, de conceitos e moral religiosas. Há sempre abundância de cenas, cores e dualidades em suas obras mais famosas como O Jardim das Delícias Terrenas (1504, aproximadamente).

O coreógrafo trabalhou com a companhia cerca de cinco meses, entre setembro e outubro, em 2010, e este ano de fevereiro a abril. Se de um lado os bailarinos se entregaram ao novo trabalho, para o coreógrafo também é a possibilidade de desenvolver a própria linguagem. Para Lara Pinheiro, essa montagem permitiu essa troca entre os lados e enriqueceu as duas partes.
 
Obra de Bosch O Jardim das Delícias Terrenas 
Com esta estreia, o Balé da Cidade também procura consolidar o trabalho da nova direção, que assumiu ano passado, em meio a crises de corte de verba e troca de gestão (importante lembrar que não é situação singular da dança, outras áreas também passam por mudanças, questionamentos sobre suas funções, cortes de verbas). Lara lembra que todo novo diretor “ajuda a escrever um capítulo da história do Balé da Cidade”; ela e sua equipe começam a imprimir um modo de olhar a dança. Paraíso Perdido, nesse sentido, na opinião da diretora, é muito mais ousado, arrisca mais na linguagem sem deixar de lado o rigor e a excelência do grupo. Em julho, estão previstas duas novas estreias, uma do português João Mesquista e outra da própria diretora.

Serviço: 
Veja em Programe-se