sexta-feira, 13 de maio de 2011

Comentários sobre o Balé da Cidade de São Paulo


Por Flávia Fontes Oliveira

Cena de Paraíso Perdido | Divulgação
Em um de seus livros, Afterimages (Knopf, 1977), a crítica de dança americana Arlene Croce lembra que o crítico de dança leva de um espetáculo impressões que foram assimilados por seus órgãos de sentido. Eles não gravam fatos, ela frisa. Fiquei com a ideia em mente por conta do novo espetáculo do Balé da Cidade de São Paulo, Paraíso Perdido, do grego Andonis Foniadakis, que estreou no Sesc Vila Mariana, dia 5 de maio, por conta das percepções causadas por ele.

Ao partir dos quadros de pinturas de Hieronymus Bosch (1450-1516), Foniadakis procurou absorver a atmosfera das obras, assumindo o excessivo uso de elementos do pintor. Para isso, coloca intensidade e volume nas cenas, em que o profano e o religioso se debatem, por vezes, vertiginosamente.
Foniadakis é um encenador de olhar agudo, desenha o palco com o um grupo grande, cerca de 30 bailarinos, intercalando com momentos de duos, trios, solos. É um balé rápido e, nesse sentido, virtuoso. Os movimentos são, em grande medida, impulsionados pelos braços e exigem qualidade na execução. Não pode haver qualquer resquício de insegurança para tamanha agilidade. Não há esforço desnecessário para este elenco renovado, que se vê no desafio de criar um corpo para a nova gestão. E eles dão o recado. 
Nos 50 minutos de espetáculos, um tanto longos (o impacto seria provavelmente mais forte em menos tempo), bailarinos entram e saem da cena com a aflição do pecado. E essa aflição não cabe em silêncios, mistura-se a tensões sensuais, brutas e gritos. Quadro a quadro, encontramos nas cenas as referências a Bosch, com jogo de iluminação e figurinos, estes assinados por João Pimenta.
Uma coreografia contemporânea, como previa a nova diretora, Lara Pinheiro, utilizando o corpo em sua potencialidade de ferramenta. E no fim nos despedimos com essa sensação, que escapa um pouco pela entrada de figurinos pratas. Uma miragem?

Um comentário:

  1. Liana Vasconcelos13 de maio de 2011 22:13

    Adorei!!!!! O espetáculo é impressionante mesmo!!!

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